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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Solitário


Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos , um dia ,
E fui refugiar-me á tua porta !

Fazia frio , e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta ...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-Velho caixão a carregar destroços -

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos !
Augustos dos Anjos